ESQUECIMENTO
“O
aspecto mais notável da memória é o esquecimento” (MacGaugh)
Quando tentamos recordar situações
antigas, muitos detalhes se perdem, esvaecem, desaparecem da memória...ou seja,
há mais esquecimento do que memória!
Lembramos de aspectos mais gerais, e
quanto mais antigo o acontecimento, mais provável não lembremos o momento,
data, como estava o clima, a idade exata...confundimos
as memórias! Elas se misturam, a ponto de não discriminarmos com clareza alguns
rostos, cheiros, palavras...
A
memória é aquilo que nos identifica como indivíduos únicos,
somos aquilo que lembramos, ou até mesmo, o que não evoca a consciência mas que
esta lá em algum lugar do cérebro, guardadinho, pronto para ser usado no
momento certo! As emoções têm um papel
fundamental no fortalecimento das memórias, são moduladas por processo
neuro-humorais e hormonais que facilitam a evocação daqueles momentos que
marcaram, foram prazeirosos ou cheio de significados na vivência.
E
porque esquecemos? Aquilo que não nos é mais útil, dá lugar a
novas memórias mais importantes. Imagina a loucura que seria se não esquecêssemos
os problemas e vivências anteriores, se eles se misturassem com as memórias
mais atuais o tempo todo, que bagunça, não? O esquecimento é adaptativo, inibe informações irrelevantes para
que seja possível selecionar lembranças mais favoráveis ao indivíduo. A falta de uso das conexões cerebrais (sinapses)
proporciona o esquecimento, pois o desuso das sinapses ocasiona as perdas das
funções por atrofia – é daí que vem a famosa frase: “a função faz o órgão”.
Muitos se queixam de não saber onde estão
certos objetos que não lembram onde colocaram, esquecem o que iam fazer,
esquecem nomes de pessoas, lugares, ruas, artistas famosos, detalhes de
conversas, filmes ....aquilo que vai caracterizar se esses esquecimentos são
patológicos é a frequência e nível de
prejuízo funcional na vida diária que eles causam.
A memória tem sua funcionalidade, é
adaptativa, é vida! E quando ela
falha, a ponto de prejudicar a funcionalidade na vida diária? Ai vem a
importância de poder avaliá-la com um
profissional especializado, a fim de construir estratégias para melhorar a
qualidade de vida, ou até mesmo, para ajudar a amenizar as angustias que essa
perda provoca, especialmente no envelhecimento, pois nem todos estão preparados
para aceitar que não são mais os mesmos
que antigamente.
Izquierdo,
I. A arte de esquecer. Rio de Janeiro: Vieira&Lent, 2004.
Baddeley,
A; Anderson, M.C; Eysenk, M.W. Memória. Porto Alegre: Artmed, 2011.

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