sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

ESQUECIMENTO


ESQUECIMENTO



“O aspecto mais notável da memória é o esquecimento” (MacGaugh)
Quando tentamos recordar situações antigas, muitos detalhes se perdem, esvaecem, desaparecem da memória...ou seja, há mais esquecimento do que memória!
Lembramos de aspectos mais gerais, e quanto mais antigo o acontecimento, mais provável não lembremos o momento, data, como estava o clima, a idade exata...confundimos as memórias! Elas se misturam, a ponto de não discriminarmos com clareza alguns rostos, cheiros, palavras...
A memória é aquilo que nos identifica como indivíduos únicos, somos aquilo que lembramos, ou até mesmo, o que não evoca a consciência mas que esta lá em algum lugar do cérebro, guardadinho, pronto para ser usado no momento certo! As emoções têm um papel fundamental no fortalecimento das memórias, são moduladas por processo neuro-humorais e hormonais que facilitam a evocação daqueles momentos que marcaram, foram prazeirosos ou cheio de significados na vivência.
E porque esquecemos? Aquilo que não nos é mais útil, dá lugar a novas memórias mais importantes. Imagina a loucura que seria se não esquecêssemos os problemas e vivências anteriores, se eles se misturassem com as memórias mais atuais o tempo todo, que bagunça, não? O esquecimento é adaptativo, inibe informações irrelevantes para que seja possível selecionar lembranças mais favoráveis ao indivíduo. A falta de uso das conexões cerebrais (sinapses) proporciona o esquecimento, pois o desuso das sinapses ocasiona as perdas das funções por atrofia – é daí que vem a famosa frase: “a função faz o órgão”.
Muitos se queixam de não saber onde estão certos objetos que não lembram onde colocaram, esquecem o que iam fazer, esquecem nomes de pessoas, lugares, ruas, artistas famosos, detalhes de conversas, filmes ....aquilo que vai caracterizar se esses esquecimentos são patológicos é a frequência e nível de prejuízo funcional na vida diária que eles causam.
A memória tem sua funcionalidade, é adaptativa, é vida! E quando ela falha, a ponto de prejudicar a funcionalidade na vida diária? Ai vem a importância de poder avaliá-la com um profissional especializado, a fim de construir estratégias para melhorar a qualidade de vida, ou até mesmo, para ajudar a amenizar as angustias que essa perda provoca, especialmente no envelhecimento, pois nem todos estão preparados para aceitar que não são mais os mesmos que antigamente.

Izquierdo, I. A arte de esquecer. Rio de Janeiro: Vieira&Lent, 2004.

Baddeley, A; Anderson, M.C; Eysenk, M.W. Memória. Porto Alegre: Artmed, 2011.

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