ESTRESSE, COGNIÇÃO E SAÚDE MENTAL
O
estresse é uma resposta fisiológica do
indivíduo à um agente estressor, ou seja, é algo que pesa, causa tensão. Pode ter efeitos protetores à medida
que ajuda o organismo a se proteger de estímulos perigosos que desencadearam o
estresse. No entanto, em doses crônicas
pode ter efeitos prejudiciais e insidiosos. Uma breve descrição da fisiologia
explana alguns efeitos:
O hormônio cortisol
quando é liberado na corrente sanguínea, atua em todo o organismo, mobilizando
reservas de energia e promovendo a imunossupressão, preparando-nos para
prosseguir frente à vários agentes estressores. Um bom estímulo para a secreção de cortisol é o estresse, desde
estímulos fisiológicos quanto psicológicos e emocionais.
Neurônios
situados no hipotálamo liberam um
peptídeo chamado hormônio liberador de
corticotropina (CRH) para o sangue. O CRH viaja até a hipófise, onde em 15
segundos estimula a liberação de corticotropina ou hormônio adrenocorticotrópico (ACTH). O ACTH é liberado na
circulação geral e viaja até o córtex adrenal, onde em poucos minutos, estimula a produção de cortisol.
O hipocampo
(estrutura que atua na formação da memória) auxilia a eliminar a reação do de estresse, no entanto, em situações de
estresse crônico, pode haver destruição das células nervosas do hipocampo, o
que resulta em um excesso de secreção de
cortisol. Ao longo do tempo, esse comprometimento do hipocampo pode trazer
problemas cognitivos, especialmente para a memória
e até mesmo, iniciar um quadro demencial.
Além disso, o excesso de cortisol também resulta na redução do sistema imunológico.
Figura
1 – Fisiologia do estresse (Bear, 2008)
Portanto, os
fatores psicológicos e sociais podem influenciar diretamente os processos
biológicos. Doenças como o câncer, problemas cardiovasculares, hipertensão
arterial, dor crônica podem estar relacionadas com eventos estressores ao longo da vida. Além
disso, pesquisas têm mostrado que o estresse crônico causa o envelhecimento
prematuro do encéfalo, doenças psiquiátricas e neurológicas.
A
irritação pode influenciar as funções cardíacas podendo alterar
significativamente os batimentos cardíacos. Reprimir hostilidade ou irritação
pode aumentar a pressão sanguínea e ocasionar problemas cardiovasculares. O
excesso de preocupação, dificuldade para relaxar, impaciência, autocrítica
elevada também são grandes propiciadores de estresse. Outro fator muito importante na
influência do estresse é que a previsibilidade e a capacidade de ter controle em
relação aos eventos da vida são condições que parecem ter íntima ligação com a
redução do estresse. Ou seja, a instabilidade (financeira, pessoal, amorosa,
econômica) pode ser um grande desencadeador do estresse.
O
que fazer então, para reduzir o estresse, promovendo e prevenindo a saúde?
Alguns métodos podem ser eficazes, lembrando que isso deve ser ajustado a
particularidade de cada um. A meditação
pode ser uma fonte eficaz de relaxamento, podendo reduzir significativamente o
fluxo dos hormônios do estresse. Mudanças de estilo de vida também são bem
vindos, como deixar de fumar, praticar exercício físico e adquirir hábitos alimentares
mais saudáveis. E para potencializar e otimizar todos esses fatores, a
psicoterapia pode ter efeitos muito efetivos à longo prazo, promovendo mudanças
psicológicas e emocionais significativas, auxiliando também na construção de
estratégias eficazes para o enfrentamento do estresse.
Referências:
Bear, M. F; Connors, B.W; Paradiso, M.A.
Neurociências: desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre: Artmed, 2008.
Barlow, D.H; Durand, V.M. Psicopatologia: Uma
abordagem integrada. São Paulo: Cengage Learning, 2008.
Barry S. Okena, B.S; Wakeland, W; Chaminea, I. Systems
approach to stress, stressors and resilience in humans. Behavioural Brain
Research 282 (2015) 144–154




